Algumas
providências simples podem facilitar o trabalho do profissional que fará o
exame e dará sugestões sobre mudanças desejáveis em seu currículo. A troca de
ideias com a especialista Ana Paula R. Ferraz chamou a atenção para seis
aspectos que, quando equacionados, ajudam o candidato e simplificam o processo
de revisão. São eles:
1) Pensar
em quem vai fazer a triagem inicial. Pode acontecer de o currículo vir a ser lido
primeiro por uma pessoa que não seja um profundo especialista na área, e que
eventualmente não conheça jargões, termos técnicos sofisticados ou conceitos
pouco disseminados. Se for preciso abordar assuntos deste tipo faça-o da
maneira mais clara e inteligível possível , para que seu currículo tenha como
seguir adiante no processo de seleção.
2) Duas
páginas. É
desejável que o comprimento do texto não encoraje o leitor a abandoná-lo antes
de chegar ao final. Pode até haver casos em que profissionais com larga
experiência necessitam de muitas páginas para expressar adequadamente suas
qualificações mas, tanto quanto possível, seja breve.
3) Idade. Omitir a idade é algo ineficaz,
e pode depor contra o profissional. Convém ter em mente que para muitos cargos
a senioridade é um atributo positivo; em outros, ser jovem e ocupar cargos mais
altos pode ser um sinal de talento. Esconder é geralmente inútil e improdutivo.
4)
Atividade atual. Se
estiver realizando uma atividade vinculada a suas qualificações, ainda que de
maneira autônoma, precária ou informal, será útil deixar isso claro. Será um
indício de disposição concreta para continuar atuando, e de que você continua
tendo algo a oferecer.
5) As experiências profissionais mais recentes. Não é obrigatório fazer
referência a todas as empresas em que trabalhou e funções que já desempenhou. É
possível, por exemplo, que as três experiências mais recentes tenham mais a ver
com a vaga que você está buscando. O lapso de tempo ideal a cobrir de seu
histórico profissional é aquele que mais bem puder criar chances de o currículo
ser aceito.
6)
Pretensão salarial. As
opiniões dos recrutadores se dividem quanto a incluir ou não no currículo o
valor do salário pretendido. Muitos entendem que é algo a negociar presencialmente,
e outros pensam que a falta da informação contribui para que o currículo seja
descartado sumariamente. Caberá a você decidir; a recomendação é refletir a
respeito e pesar os prós e contras de sua situação. Se escolher incluir a
informação, procure obter dados de mercado que tornem possível indicar a
expectativa de uma remuneração compatível com a realidade.
Em
resumo, trata-se de facilitar o trabalho do leitor de seu currículo e
transmitir informações que ele entenda; ser objetivo; não esconder informações
importantes e manter o foco nas mais recentes; tratar a questão da remuneração
com realismo, pesando vantagens e desvantagens de tocar no assunto já no
momento inicial.
Estas
colocações são sugestões para reflexão, e não verdades indiscutíveis. Não é
difícil imaginar casos e situações especiais em que existem motivos para agir
de maneira diferente do padrão. Pensar nessas coisas antes de encaminhar o
currículo provavelmente aumentará suas chances de sucesso. Boa sorte!
